segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Nintendo WiiU


A nova consola, Nintendo WiiU será lançada dia 30 deste mês, acompanhada de diversos lançamentos para todos os gostos e faixas etárias.

Desde exclusivos como Super Mario WiiU e ZombieU, até jogos já disponíveis em outras plataformas como Call of Duty: Black Ops 2 e Fifa 13, a Nintendo promete agradar a todos, sejam eles jogadores casuais ou hardcore.

A consola irá ser vendida em vários pacotes, custando o modelo base de 8GB 299.99€, subindo o preço para 349.99€ no modelo de 32GB, que também traz o jogo Nintendo Land. Será também disponibilizado o segundo modelo de 32GB com o jogo ZombieU passando o total para 389.99€.

Para finalizar o tema dos preços, prevê-se também que o preço base dos jogos rondará os 59.99€, que está perto do preço da maioria dos jogos desta geração de consolas.

Mas como o preço não é tudo, gostaria também de falar um pouco da consola em si. A novidade desta nova consola vinda da terra do Sol Nascente é o seu peculiar controlador. Desta vez não vão ter de abanar os braços freneticamente nos vossos jogos pois o controlador é semelhante a uma tablet, com um ecrã de toque, que infelizmente não suporta a tecnologia Multi-touch (porquê Nintendo?) mas que pelo que se sabe, funciona na perfeição e com um tempo de resposta fenomenal.

“Mas se temos a consola ligada ao LCD da sala, porque haveríamos de querer um comando com ecrã?” podem vocês perguntar. A ideia pode ser inovadora para uma “consola de sala”, mas a verdade é que a própria Nintendo já nos faz jogar jogos desta forma desde que lançou a original Nintendo Ds. O facto de termos 2 ecrãs sempre disponíveis é algo que pode fazer a diferença. Querem um exemplo? Pensem em algum jogo com um mapa, Silent Hill por exemplo (uma das minhas franchises favoritas), em vez de terem que pausar a acção sempre que precisarem de consultar o mapa, basta olhar para baixo onde o mapa está no vosso controlador, continuando a acção a desenrolar-se na vossa televisão.

Também terão a opção de continuar a jogar os vossos jogos no controlador se alguém quiser utilizar a televisão, o que se revela muito útil, porém o limite de distância a que têm de se encontrar da televisão para o controlador funcionar é curto. Este varia de casa para casa, dependendo da estrutura da casa e da própria grossura das paredes, mas dificilmente conseguirão levar o comando para o quarto para continuar a sessão de jogo. Não me parece que possam salvar a princesa Peach enquanto estão relaxados na vossa banheira infelizmente…
A bateria do controlador demora 2 horas e meia a carregar e tem uma duração de 3 a 5 horas, o que não é muito.

Questionável é o facto de só ser possível utilizar um comando dos novos de cada vez (está prometido o suporte para 2 destes no futuro mas não no lançamento), sendo que se quiserem jogar com um amigo ou mais terão que utilizar os controladores da Nintendo Wii. Claro que para aqueles que não adquiriram a Wii isto será uma despesa adicional e visto que para alguns dos jogos também terão de possuir o Wii Motion Plus, um acessório que melhora as capacidades do comando original da Wii, a brincadeira não fica barata.

Poderão, jogar os jogos da vossa Wii na nova consola, se bem que para já a interface é algo lenta e não muito intuitiva, no entanto, já foi prometida uma melhoria do serviço através de futuros updates, que deverão resolver as questões mais importantes.

Pessoalmente, penso que esta consola não terá o sucesso da sua irmã mais velha por várias razões. Uma delas é que a primeira Wii cativou o mercado dos jogadores casuais, sendo este um mercado não muito explorado na altura em que a consola saiu. Hoje, o mercado casual foi completamente absorvido pelos smartphones e pelas tablets. Quem quer jogar exporadicamente preferirá com certeza comprar pequenos jogos de 1 euro em vez de comprar uma consola que não é assim tão barata. 

Mas esta nem é a principal razão, o que nos cativou tanto em 2006 foi a inovadora maneira de jogar que nos foi apresentada, utilizando o Numchuck e o Wii Remote. Estes controladores obrigavam-nos a jogar apontando para o ecrã e até nos ajudaram a perder uns quilos com ofertas como WiiSports. Aventuras como Legend of Zelda obrigavam-nos a jogar quase sempre de pé, balançando o comando como uma espada. Foi esta nova e diferente maneira  de interagir com os videojogos que atraiu miúdos e graúdos e foi uma idea genial da gigante nipónica.

Podem não ter passado muitos anos desde o seu lançamento, mas a verdade é que os videojogos evoluíram muito desde então e a Wii tem vindo a decair já à alguns anos. Com o anúncio eminente de novas consolas por parte da Microsoft e da Sony, este lançamento não parece muito bem planeado. A Nintendo chegou agora à geração de alta definição, mas se os seus rivais conseguirem dar um grande passo em frente, a WiiU corre o risco de daqui a uns anos ser considerada uma “consola de geração passada”, o mesmo que aconteceu à Wii original.

Se esta nova proposta da Nintendo será um sucesso só o tempo dirá. A Wii foi a consola mais vendida da actual geração, mantendo-se durante anos à frente dos seus adversários. 

Se há uma companhia capaz de nos surpreender é a Nintendo e por isso estou muito curioso para ver se a sua nova proposta será ou não um sucesso comercial.


Vítor Vieira 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Project Zomboid


Zombies... Existirá uma temática mais explorada que esta? 
O mercado está repleto de jogos onde o objectivo é escapar ou aniquilar o maior número destes canibais, ou serão carnívoros? Um pormenor irrelevante... 


Verdade seja dita, poucos são os jogos que se mantém fiéis aos mortos-vivos idealizados por George A. Romero e John A. Russo, lentos mas perturbadoramente parecidos com “humanos comuns”. 

Hoje em dia existem os infectados de Left For Dead, as várias variantes de Resident Evil que todos aceitamos como zombies mas que na verdade não passam de aberrações mutantes.

Aliás, um jogo de zombies realista é coisa de que não me lembro de jogar. Imaginemos que somos nós que estamos presos na nossa pequena cidade, rodeados de “comedores de carne”, sem saber o que fazer ou para onde ir. Será que ficaríamos em casa a tentar sobreviver ou sairíamos para a rua armados até aos dentes a disparar sobre tudo que se mexe?

Obviamente que não somos nenhuns super-heróis, logo ficaríamos pela primeira hipótese. É isto que nos propõe a produtora independente “ The Indie Stone”, com o seu jogo mais recente, “Project  Zomboid ”. Um jogo em perspectiva isométrica e com gráficos estilizados bastante detalhados em “Píxel Art” , onde o nosso objectivo é apenas sobreviver, sabendo desde o vídeo introdutório que vamos morrer de qualquer forma. Estranho? Com certeza! Mas isto não prejudica em nada o jogo, aliás até abona em seu favor. 

Visto que a morte da vossa personagem é permanente, terão de ter muito cuidado nas vossas deambulações pelo cenário, a não ser que queiram ser mordidos e infectados, o que claro resulta numa morte certa.

Neste jogo podem tentar proteger as vossas casas criando um pequeno forte à sua volta, selando portas e janelas ou andar pelo mundo de jogo deambulando de casa em casa, pilhando tudo que conseguirem, desde aspirinas até comprimidos para a depressão (sim se estiverem muito tempo sozinhos podem começar a sofrer de aborrecimento ou até de depressão).

Existem NPC no jogo, outros sobreviventes. Estes podem querer juntar-se a nós, seguindo-nos, ou então ser hostis e roubar as provisões que tão solenemente guardamos em casa ou até mesmo matando-nos para ficarem com os nossos pertences. De salientar a possibilidade de serem mordidos sem vocês saberem e depois tornarem-se mortos-vivos e tentarem matar-vos.

Estando o jogo numa fase de produção Alfa, à ainda muito a trabalhar, estando agendados para o futuro modos multijogador, muitas adições ao modo sandbox (jogar sem objectivos), e também campanhas adicionais para desfrutar no modo de um jogador, estando nesta fase da produção apenas uma campanha disponível. Existem já vários mods que podem usar para alterar certos aspectos do jogo, ou até em certos casos, acrescentar algo mais à vossa experiência.

A fervorosa comunidade que suporta este título é sinal do elevado grau de ambição desta companhia fortalecendo a ideia de que, a longo prazo, “Project Zomboid”  atingirá o tão cobiçado topo da lista de melhores jogos Indie de muitos jogadores.

Por fim gostaria de mencionar a componente sonora, que faz um trabalho brilhantíssimo em nos transportar para o ambiente desolado e deprimente proporcionado por este título.

Para mais informações, dirijam-se a http://projectzomboid.com/blog/  e mantenham-se atentos ao blog para futuras informações sobre este jogo Indie que quer fazer pelo género de sobrevivência, o que Minecraft fez pelo modo sandbox.

Vítor Vieira

Mass Effect 2 Teste


3 Anos após nos arrebatar com Mass Effect, um jogo onde assumimos o papel do Comandante Shepard numa feroz batalha contra uma raça sintética conhecida como “Geth”, a Bioware lança a sequela ao seu aclamado título de ficção científica. Mas será esta uma aventura superior à original, ou o primeiro prego no caixão de uma franchise tão amada pelos seus fãs?

Felizmente, Mass Effect  2 é tudo o que o original foi e muito mais. A empresa canadiana não nos decepcionou, e fez deste jogo uma referência no seu género.

Mass Effect é um título de acção na terceira pessoa com uma temática espacial, com ligeiros elementos de RPG à mistura, sendo de enfatizar os diálogos e escolhas morais ao bom estilo de Kotor ou do mais recente Dragon Age 2, ambos jogos da mesma produtora. A nossa personagem, podendo ela ser do sexo masculino ou feminino, salvou a galáxia do eminente perigo dos Geth, que foram criados pelos Quarians e controlados pelos Reapers, que se revelam como os verdadeiros antagonistas desta série.

Complicado? Pode parecer que sim mas na verdade esta história segue um caminho bastante familiar, que apesar de ser bem construído, não foge ao estereótipo do marine espacial que descobre e enfrenta a maior ameaça alguma vez vista e parte assim para a salvação de toda a galáxia. Parece cliché? Sem dúvida que o é, mas o que torna esta aventura tão especial é a forma como nos é apresentada; é neste ponto que a produtora brilha e nos demonstra que está entre as melhores quando nos queremos submergir numa narrativa extensa, complexa e bem elaborada.

A história começa pouco tempo após os acontecimentos do primeiro jogo, estando Shepard e a sua tripulação à caça dos Geth, numa tentativa do Conselho (o governo galáctico) de esconder ao público que a verdadeira ameaça são os Reapers, para não causar pânico. De salientar que os membros do conselho variam, dependendo das escolhas feitas no original, tal como varia a forma como as personagens vêem o nosso herói; tendo até uma dessas personagens que sobreviver ao primeiro jogo para nos ajudar durante a sequela, sendo esta substituída por uma outra no caso de não terem jogado o primeiro jogo.

Subitamente, a nave de Shepard é atacada pelos misteriosos Collectors, cujas verdadeiras intenções são desconhecidas aos jogadores. A maior parte dos membros da tripulação conseguem escapar mas Shepard é dos poucos que fica para trás, um capitão a afundar com o seu navio.

A narrativa é resumida  2 anos após este evento, com Shepard a ser reconstruído pela Cerberus (qual Adam Jensen), quem jogou o primeiro jogo dever-se-á de lembrar que são uma organização humanitária extremista que não se importa de pisar certos riscos, se isso significar que a humanidade ganha poder e influência na galáxia. Os seus motivos são também desconhecidos e Shepard terá de cooperar com eles. Se ele trabalha para ou com a Cerberus cabe ao jogador decidir. A narrativa é fixa, variando apenas em como o jogador aborda as situações, sendo que a personalidade do “nosso” comandante é enraizada nos já conhecidos diálogos de escolha múltipla e em novos quick time events que ocorrem em situações pré definidas na narrativa, onde o jogador poderá cometer acções de bondade (paragorn) ou de malvadez (renegade). De salientar que Shepard será sempre um herói, seja ele amigável e heróico, ou alguém sem escrúpulos e apenas preocupado em obter resultados, independentemente das consequências dos seus actos.

Tal como no original, neste jogo somos acompanhados por várias personagens, sendo possível que duas à nossa escolha sejam levadas em cada missão. Velhas caras como Garrus Vakarian e Tali'zorah estão de volta e outras novas surgem para nos ajudar, como Miranda Lawson, uma sensual agente da Cerberus e Thane Krios, um Assassino da raça Drell que se junta à nossa equipa que mais uma vez é constituída por um Tutti frutti Galáctico, uma equipa  All Stars, se assim preferirem, das mais variadas raças presentes na galáxia. Prova disso é Mordin Solus e Samara, um médico Salarian e uma Justicar Asari respectivamente, fazendo assim com que tenhamos uma personagem de cada principal espécie desta fictícia Via Láctea na nossa tripulação.

A nível de jogabilidade, o que temos neste título não diferencia muito do que vimos no primeiro capítulo da série ou em jogos como Gears of War ou Rainbow Six Vegas. Mas existem diversas melhorias nesta sequela, principalmente no sistema de cobertura agora mais intuitivo e eficaz, e na remodelação do exageradamente complicado sistema de inventário presente no primeiro jogo, estando agora mais simplificado, algo que abona definitivamente em seu favor. Os fãs mais acérrimos do original poderão não ficar completamente satisfeitos com a direcção mais orientada para a acção, mas quando nos é apresentada uma jogabilidade tão aprimorada e tão bem construída, é difícil apontar o dedo à produtora.

De fora ficaram as missões a bordo do veículo todo o terreno Mako, tendo estas sido substituídas por uma espécie de minijogo, onde o objectivo é recolher recursos de vários planetas recorrendo a sondas, no âmbito de melhorar a nossa nave e as nossas armas comprando upgrades. Uma outra ideia interessante aplicada neste jogo são as missões de lealdade, cada personagem da vossa equipa terá uma e só ajudando-os nessa missão (que também podem optar por não fazer) é que terão a completa lealdade do vosso companheiro. Estas missões variam desde um ritual de maturidade Krogan (que é composto por um teste de sobrevivência), à investigação do desaparecimento de diversas pessoas no planeta Omega, o lugar onde toda a escumalha da galáxia parece ir parar. Apesar de não serem obrigatórias, estas missões são das melhores que já se viu na série e terão também implicações na recta final do jogo, sendo por isso recomendado que as façam.

No departamento gráfico o jogo está bastante satisfatório, com planetas cheios de vida e com vistas incríveis, personagens ricas em expressividade e animações acima da média. Neste jogo são muitos os momentos que nos fazem admirar o trabalho e tempo despendidos em dar vida aos locais que visitámos e na forma eficaz como estes nos são apresentados, seja numa prisão nos confins do espaço ou num planeta grandioso a fazer lembrar a Taris de KOTOR, ou Coruscant da saga de George Lucas; este é sem dúvida, um dos jogos mais belos produzidos pelos canadianos da Bioware.

As melodias deste jogo não se destacam tanto como as do primeiro, não deixando de ter qualidade mas que não ficam na nossa memória enraizadas como algumas das faixas do jogo anterior. Contem ainda com um elenco de luxo, de actores tão conhecidos como Seth Green (Family Guy), Martin Sheen (Apocalypse Now)e Keith David (The Thing), entre muitos outros...

Mass Effect 2 é tudo que o original foi e muito mais, tendo refinado a sua jogabilidade e apresentando-nos uma história grandiosa repleta de personagens credíveis e momentos de que não nos esqueceremos com facilidade. Junte-se isto a uma componente sonora de qualidade, uma longevidade para dar e vender e um plano de DLC que trará periodicamente mais conteúdo, compensando assim a falta de modos multijogador, este é claramente um dos melhores jogos do reportório da empresa que revolucionou o género de RPG e um dos melhores títulos da sua geração, indicado principalmente àqueles que procuram uma experiência a solo cinemática, envolvente e sobretudo, inteligente e com altos valores de produção.



História – 9.5
Design – 9.0
Jogabilidade – 9.5
Apresentação – 9.3
Som – 9.0

TOTAL – 9.3
            


Vítor Vieira