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Anos após nos arrebatar com Mass Effect,
um jogo onde assumimos o papel do Comandante Shepard numa feroz batalha contra uma raça
sintética conhecida como “Geth”, a Bioware lança
a sequela ao seu aclamado título de ficção científica. Mas será esta uma aventura
superior à original, ou o primeiro prego no caixão de uma franchise tão amada
pelos seus fãs?
Felizmente, Mass
Effect 2 é tudo o que o original foi e
muito mais. A empresa canadiana não nos decepcionou, e fez deste jogo uma
referência no seu género.
Mass Effect é um
título de acção na terceira pessoa com uma temática espacial, com ligeiros
elementos de RPG à mistura, sendo de enfatizar os diálogos e escolhas morais ao
bom estilo de Kotor ou do mais recente Dragon Age 2, ambos jogos da mesma
produtora. A nossa personagem, podendo ela ser do sexo masculino ou feminino, salvou
a galáxia do eminente perigo dos Geth, que foram criados pelos Quarians e
controlados pelos Reapers, que se revelam como os verdadeiros antagonistas
desta série.
Complicado? Pode
parecer que sim mas na verdade esta história segue um caminho bastante
familiar, que apesar de ser bem construído, não foge ao estereótipo do marine espacial
que descobre e enfrenta a maior ameaça alguma vez vista e parte assim para a
salvação de toda a galáxia. Parece cliché? Sem dúvida que o é, mas o que torna
esta aventura tão especial é a forma como nos é apresentada; é neste ponto que a
produtora brilha e nos demonstra que está entre as melhores quando nos queremos
submergir numa narrativa extensa, complexa e bem elaborada.
A história começa
pouco tempo após os acontecimentos do primeiro jogo, estando Shepard e a sua
tripulação à caça dos Geth, numa tentativa do Conselho (o governo galáctico) de esconder ao público que
a verdadeira ameaça são os Reapers, para não causar pânico. De salientar que os
membros do conselho variam, dependendo das escolhas feitas no original, tal
como varia a forma como as personagens vêem o nosso herói; tendo até uma dessas
personagens que sobreviver ao primeiro jogo para nos ajudar durante a sequela,
sendo esta substituída por uma outra no caso de não terem jogado o primeiro
jogo.
Subitamente, a nave
de Shepard é atacada pelos misteriosos Collectors, cujas verdadeiras intenções
são desconhecidas aos jogadores. A maior parte dos membros da tripulação
conseguem escapar mas Shepard é dos poucos que fica para trás, um capitão a
afundar com o seu navio.
A narrativa é
resumida 2 anos após este evento, com
Shepard a ser reconstruído pela Cerberus (qual Adam Jensen), quem jogou o
primeiro jogo dever-se-á de lembrar que são uma organização humanitária
extremista que não se importa de pisar certos riscos, se isso significar que a
humanidade ganha poder e influência na galáxia. Os seus motivos são também
desconhecidos e Shepard terá de cooperar com eles. Se ele trabalha para ou com
a Cerberus cabe ao jogador decidir. A narrativa é fixa, variando apenas em como
o jogador aborda as situações, sendo que a personalidade do “nosso” comandante
é enraizada nos já conhecidos diálogos de escolha múltipla e em novos quick
time events que ocorrem em situações pré definidas na narrativa, onde o jogador
poderá cometer acções de bondade (paragorn) ou de malvadez (renegade). De salientar
que Shepard será sempre um herói, seja ele amigável e heróico, ou alguém sem
escrúpulos e apenas preocupado em obter resultados, independentemente das
consequências dos seus actos.
Tal como no original,
neste jogo somos acompanhados por várias personagens, sendo possível que duas à
nossa escolha sejam levadas em cada missão. Velhas caras como Garrus Vakarian e
Tali'zorah estão de volta e outras novas surgem para nos ajudar, como Miranda
Lawson, uma sensual agente da Cerberus e Thane Krios, um Assassino da raça
Drell que se junta à nossa equipa que mais uma vez é constituída por um Tutti
frutti Galáctico, uma equipa All Stars,
se assim preferirem, das mais variadas raças presentes na galáxia. Prova disso
é Mordin Solus e Samara, um médico Salarian e uma Justicar Asari
respectivamente, fazendo assim com que tenhamos uma personagem de cada
principal espécie desta fictícia Via Láctea na nossa tripulação.
A nível de
jogabilidade, o que temos neste título não diferencia muito do que vimos no
primeiro capítulo da série ou em jogos como Gears of War ou Rainbow Six Vegas. Mas
existem diversas melhorias nesta sequela, principalmente no sistema de
cobertura agora mais intuitivo e eficaz, e na remodelação do exageradamente
complicado sistema de inventário presente no primeiro jogo, estando agora mais
simplificado, algo que abona definitivamente em seu favor. Os fãs mais
acérrimos do original poderão não ficar completamente satisfeitos com a
direcção mais orientada para a acção, mas quando nos é apresentada uma
jogabilidade tão aprimorada e tão bem construída, é difícil apontar o dedo à
produtora.
De fora ficaram as
missões a bordo do veículo todo o terreno Mako, tendo estas sido substituídas
por uma espécie de minijogo, onde o objectivo é recolher recursos de vários
planetas recorrendo a sondas, no âmbito de melhorar a nossa nave e as nossas
armas comprando upgrades. Uma outra ideia interessante aplicada neste jogo são
as missões de lealdade, cada personagem da vossa equipa terá uma e só
ajudando-os nessa missão (que também podem optar por não fazer) é que terão a completa
lealdade do vosso companheiro. Estas missões variam desde um ritual de
maturidade Krogan (que é composto por um teste de sobrevivência), à
investigação do desaparecimento de diversas pessoas no planeta Omega, o lugar
onde toda a escumalha da galáxia parece ir parar. Apesar de não serem
obrigatórias, estas missões são das melhores que já se viu na série e terão
também implicações na recta final do jogo, sendo por isso recomendado que as
façam.
No departamento
gráfico o jogo está bastante satisfatório, com planetas cheios de vida e com vistas
incríveis, personagens ricas em expressividade e animações acima da média.
Neste jogo são muitos os momentos que nos fazem admirar o trabalho e tempo despendidos
em dar vida aos locais que visitámos e na forma eficaz como estes nos são
apresentados, seja numa prisão nos confins do espaço ou num planeta grandioso a
fazer lembrar a Taris de KOTOR, ou Coruscant da saga de George Lucas; este é
sem dúvida, um dos jogos mais belos produzidos pelos canadianos da Bioware.
As melodias deste
jogo não se destacam tanto como as do primeiro, não deixando de ter qualidade
mas que não ficam na nossa memória enraizadas como algumas das faixas do jogo
anterior. Contem ainda com um elenco de luxo, de actores tão conhecidos como
Seth Green (Family Guy), Martin Sheen (Apocalypse Now)e Keith David (The Thing),
entre muitos outros...
Mass Effect 2 é tudo
que o original foi e muito mais, tendo refinado a sua jogabilidade e apresentando-nos
uma história grandiosa repleta de personagens credíveis e momentos de que não nos
esqueceremos com facilidade. Junte-se isto a uma componente sonora de qualidade,
uma longevidade para dar e vender e um plano de DLC que trará periodicamente mais
conteúdo, compensando assim a falta de modos multijogador, este é claramente um
dos melhores jogos do reportório da empresa que revolucionou o género de RPG e
um dos melhores títulos da sua geração, indicado principalmente àqueles que
procuram uma experiência a solo cinemática, envolvente e sobretudo, inteligente e com altos valores de produção.
História – 9.5
Design – 9.0
Jogabilidade – 9.5
Apresentação – 9.3
Som – 9.0
TOTAL – 9.3
Vítor Vieira
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